
O começo de tudo.
O começo de tudo é este lugar onde você não está.
Ninguém morreu, ninguém perdeu ou ganhou e ninguém achou que seria para sempre.
Dentro de mim. Curtindo, brincando, dando pulinhos e às vezes, muitas vezes, lembrando dos meus passeios no vazio – Então, como mágica, desdenho do drama – desse, eu não preciso mais!
Observo meu jardim abandonado, encaro o mundo e deixo pra trás uma parte entediada de mim – eu me copiei no que havia de pior, de mais triste e de mais desorientado.
Começam as canções que eu não conhecia e uma porção generosa de satisfação.
O começo de tudo é dizer que me pertenço apenas – esse desejo humano feito pra quem já sofreu um bocado- essa glória que ninguém precisa entender mais do que eu.
Quantas vezes eu posso sair do inferno e voltar pra festa? Isso é tão melhor que passar a vida em branco -como quem jamais tirou os pés do chão, como quem desconhece uma ilusão que apesar da sua forma ,consegue dá sentido à vida.
É a imensidão que te espera la fora, na sua rua , na sua casa – na minha ausência, nas suas costas livres , na exatidão que meu tipo de amor não constrói, mas que meu tipo de adeus adora.
Calam-se as vozes que seu violão devora e guardo as palavras – todas.
Não é uma festa, não é o preço da sua força ou da minha, não é o tic tac do meu relógio ou do seu – se é que existe – não é a preguiça da promessa – nem é a faca da saudade a me roçar o cérebro enquanto não penso.
Inteira, distante, sortuda , disposta e cheia de Deus . O começo de tudo é o nosso fim.
Por Fabiana Borges - http://fabianaborges.com
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